quarta-feira, 4 de junho de 2014

SILÊNCIO


É preciso calar.
É preciso que transborde o silêncio,
e se afogue o desejo de imantar o outro.
Para quê interromper com palavras
o sentido dos dias,
das notícias,
dos livros
e ditos dos homens?
Para onde se dirigem as selvagens palavras?
Por que não há de bastar o leve rumor da aragem,
o farfalhar do fino cedro,
o doce ressonar de um cão?
Por que não me basto?
Meu Deus, dai-me o silêncio.

SILENTO

Necesas silenti.
Necesas, ke transbordiĝu  silento,
kaj dronu la deziro magnetumi  aliulon.
Kial rompi per vortoj
la sencon de la tagoj,
de informoj,
de libroj
kaj diraĵoj de homoj?
Kien iras la sovaĝaj vortoj?
Kial ne sufiĉas la malpeza murmuro de venteto,
la kraketado de maldika cedro,
la dolĉa dormosonado de hundo?
Kial mi ne sufiĉas al mi?

Mia Dio, donu al mi silenton.

5 comentários:

  1. Paulo, o seu poema deixou-me em estado de deslumbramento. Você teceu de um modo incrivelmente belo e suave o que eu toscamente esbocei em 1999, no meu livro Poemas sem endereço:
    Leveza
    Estou aprendendo
    a ouvir a voz
    do Mestre do Silêncio:
    a alegria da solidão é minha cúmplice.

    Obrigada, Poeta!

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  2. No silêncio, a vibração das palavras. O conjunto de poesia de Paulo Viana nos faz rimar as ondas: cerebrais do questionamento, sonoras do suspiro. E ainda com a versão para o esperanto - ou vice-versa. Um presente para todos nós.

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  3. Para você, meu querido amigo:
    Que ouçamos a voz do silêncio
    Aprendamos a alma aquietar
    Pra sentirmos a divina presença
    o coração acalmar.
    Um suave acalanto que dedilhei na lira há muito tempo quando essa necessidade de silêncio invadiu-me a alma.
    Um abraço.

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  4. Difícil até de comentar. Melhor permanecer em silêncio! Belíssimo, Paulo!

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  5. "Mia Dio, donu al mi silenton". Ne tiun de perforte silentigitaj animoj, sed tiun plej kortuŝa de poeziamantoj antaŭ la Antaŭneaŭditaĵo: la silento antaŭ la Lumo, la Vivo kaj la Amo. Miajn sincerajn aplaŭdojn, Paŭlo!

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