sábado, 4 de outubro de 2014

ÁGUA E SABÃO



Era uma freirinha esperta e muito prática. Fazia as coisas sem muita pergunta.
Como o estio se prolongasse para além de setembro, estava tudo muito empoeirado, as gargantas secas e as tosses judiando.  A imagem de Nossa Senhora também: sujinha, sujinha de pó.
Lá fora, o céu azul-aço, de tanta seca. Foi a freirinha lavar a santa, com água e sabão.
Findo o serviço, olharam-se as duas para o acerto:
-          Lavei a Senhora, mas tenho um pedido: que mande uma chuva, logo logo.
Às quatro da tarde reboou o primeiro trovão.
Como se sabe, lavar santo traz chuva.


AKVO KAJ SAPO

Ŝi estis lerta, tre praktika monaĥineto. Ŝi faris ĉion sen  multe da demandoj.
Ĉar la seka sezono daŭris tro longe, ĝis post septembro, ĉio estis tre polva, la gorĝoj sekaj, la tusado turmentadis. Ankaŭ la statuo de Nia Sinjorino: malpura, polvmalpura.
Ekstere, la ĉielo estis ŝtalblua, sekvetera. La monaĥineto jen alvenis por lavi la sanktulinon, per akvo kaj sapo.
Post la laboro, ili du sin rigardis reciproke por interkonsento:
-          Mi lavis vin, Sinjorino, sed mi havas peton: ke vi sendu pluvon, tuj tuj.
Je la kvara posttagmeze eksonis la unua fulmotondro.

Kiel oni scias, lavi statuon de sanktulo alportas pluvon.

2 comentários:

  1. Com requintada sutileza poética, a narrativa recria um dito popular e nos encanta.

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  2. Se a moda pega em S. Paulo... Os santos vão ficar brilhando. Você podia criar uma série "das freirinhas", Paulo!

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