domingo, 23 de dezembro de 2012

TRÊS POR QUATRO



a mim me pediram um retrato três por quatro
para fins de crachá
para que o porteiro pudesse ter certeza de que eu sou eu e não outro
o fotógrafo me convidou a pentear os cabelos
posicionou-me a cabeça
e o colarinho
acendeu luzes intensas
e me cristalizou num pequeno quadrado de fundo branco
ali permaneço para sempre
a olhar para nada
agora o porteiro me recebe com um sorriso computadorizado
me deseja bons dias
e me libera a catraca
mal sabe ele que aquele não sou eu
pois que a cada dia sou outro
e que a rigor a cada dia seria preciso
um novo retrato três por quatro
até o fim dos tempos

PORDOKUMENTA FOTO

de mi oni petis pordokumentan foton
por surbrusta identigilo
por ke la pordisto estu certa ke mi estas mi kaj ne alia homo
la fotisto proponis, ke mi kombu miajn harojn
alĝustigis la pozicion de mia kapo
kaj de mia kolumo
ŝaltis helegajn lampojn
kristaligis min sur eta kvadrato kun blanka fono
tie mi restas por ĉiam
rigardante nenion
nun la pordisto akceptas min kun komputila rideto
deziras al mi bonan tagon
kaj liberigas al mi la enirpordon
li ne scias ke tiu ne estas mi
ĉar ĉiutage mi estas alia
kaj ke striktasence ĉiutage necesus
nova pordokumenta portreto
ĝis la fino de la tempoj

5 comentários:

  1. Gostei demais do 3 X 4, na expectativa de que o blog volte a se movimentar!

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  2. O bom filho à casa torna! Bem-vindo ao blog! :)

    Seu belo "Três por quatro" lembrou-me o famoso poema "Traduzir-se" de Ferreira Gullar do qual recorto alguns versos:


    Uma parte de mim
    é todo mundo:
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.

    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.

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  3. Terura foto de nia ĉiutaga absurda movo ene de mire mirakla, mirinda vivo. Foto (sinomimo de lumo) fariĝis poezio (ankaŭ sinonimo de lumo). Dank'al Vi, Paulo, tiu belega poemo lumas! Al Vi, kara, Lumon, Vivon kaj Amon!

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