Há pouco chegou o Dia das Crianças, e eu fui buscar o meu presentinho de sempre, para minha neta: um livro, claro. Encontrei uma publicação linda, bem editada, com uma história sobre animais, muito educativa e agradável. As ilustrações também bonitas e adequadas. Era bem o que eu procurava.
O original, em língua inglesa. Naturalmente fui ver a informação sobre o tradutor. Nada! Nem uma informação sobre o tradutor! No máximo, o nome de um “Revisor”. Como assim?! O trabalho do tradutor não merece menção? Ou será que entregaram a tarefa à I.A.?
O trabalho de tradução literária nunca foi muito valorizado. Agora parece que o desprezo aumentou, pela influência da tecnologia. Mas é preciso critério. Recentemente, li “O Corcunda de Notre Dame”, de Hugo, editado pela Marin Claret (2021), em magnífica tradução de Herculano Villas-Boas. Um primor de tradução, que tornou minha leitura ainda mais prazerosa! Duvido que a I.A. fizesse igual...
Na verdade, traduzir é recriar, é transpor com arte, é reescrever. Grandes gênios da literatura se dedicaram a traduzir. Citando apenas um: Machado de Assis.
Não merece respeito?
ĉu li ne meritas respekton?
Antaŭ nelonge alvenis la Tago de Infanoj, kaj mi iris por serĉi mian donaceton, ĉiam la saman, al mia nepineto: libron, memkompreneble. Mi trovis belegan eldonaĵon, bone fasonitan, enhavantan rakonton pri bestoj, tre edukan kaj agrablan. Ankaŭ la ilustraĵoj estis belaj kaj oportunaj. Precize tion mi serĉis.
La originalo, en la angla lingvo. Sekve, mi kontrolis la informon pri la tradukinto. Nenio! Nenia informo pri la tradukinto! Apenaŭ la nomo de “Revizianto”. Kiel do?! Ĉu la laboro de tradukisto ne meritas atenton? Aŭ eble oni transdonis tiun taskon al A.I.?
La laboron de literatura tradukado oni neniam vere valorigis. Nun, ŝajne, la ignorado pliiĝis, pro influo de teknologio. Sed kriterio estas necesa. Antaŭ nelonge, mi legis “Notre Dame de Paris”, de Hugo, eldonitan de de Martin Claret, en majesta traduko al la portugala lingvo de Herculano Villas-Boas. Rafinita traduko, kiu faris mian legadon eĉ pli plezura! Mi dubas, ĉu A.I. farus simile...